quarta-feira, 18 de setembro de 2013
Por: Marconi de Souza
Por: Marconi De Souza Reis
Encerrei o ano de 2002 atrás do trio elétrico do Chiclete com Banana,
isto é, escrevendo uma série de denúncias envolvendo o grupo musical.
Foi um escândalo aquelas reportagens! Mostrei que, por trás daquela
bandana que o cantor Bell Marques carrega sobre sua cabeça, se esconde
muito mais do que uma incômoda calvície – fraudes, sonegação fiscal,
caixa dois e até exploração de talentos em proveito próprio.
A primeira reportagem foi publicada no dia 17 de novembro de 2002, no
jornal A Tarde, com o título “Líder do Chiclete acusado de exploração”,
com farta documentação ilustrando a matéria. Narrei o drama de Paulla
Cristinny, nascida em Paulo Afonso, e que Bell conheceu em 1994, quando
ela tinha 10 anos de idade e era vocalista da Banda Dissonantes. A
garota era um talento que encantava a cidade!
Ele trouxe a menina para a capital baiana, para gravações na WR e, em
1996, criou a Banda Coxa Bamba. A família da garota veio junta e assinou
um contrato com a Babell – empresa do grupo Chiclete com Banana –, na
qual a garota teria direito a 50% da renda bruta e 60% dos direitos
fonográficos ao longo de 10 anos. Paulla Cristinny foi elogiada na Rede
Globo em cadeia nacional no Carnaval de 1998.
Mas a verdade é que nunca recebeu os 50% da renda bruta nos 47 shows que
fez em quatro estados brasileiros. Recebia apenas cachês de R$ 100.
Resultado: entrou com ação (16ª Vara Cível de Salvador) e o Chiclete com
Banana apresentou uma relação de pagamentos num papel sem timbre e sem
assinatura. Ridículo! E mais: se recusou a entregar o livro da
contabilidade. Aí minha série de reportagens pegou fogo!
Um mês depois, eu trouxe outro personagem envolvendo o grupo. No dia 15
de dezembro de 2002 estampei a manchete “Jonne processa Chiclete por
fraudes”, também com farta documentação. Ao longo de uma semana
denunciei a sonegação fiscal, a prática de caixa dois e outras fraudes
do grupo. E foram nessas reportagens que apareceu a empresa Mazana, do
Chiclete, hoje estopim do rompimento do grupo.
João Fernandes da Silva Filho, o Cacik Jonne, ex-guitarrista da banda,
ingressou com duas ações cíveis (23ª Vara Cível) e uma trabalhista. As
denúncias provocaram grandes turbulências no grupo, a ponto de, seis
meses depois (em junho de 2003), a Delegacia da Receita Federal concluir
– no processo de Paulla Cristinny – que apenas 34% da renda bruta dos
eventos do Chiclete com Banana estavam contabilizados.
O perito Alex Andrade (PJO – 2605) afirmou nos autos: “O cantor Bell
Marques registra toda a sua movimentação financeira por meio de
conta-caixa, apesar da existência de conta corrente bancária com um
volume significativo de transação e que difere da conta-caixa em vários
lançamentos caracterizando assim a ausência de conciliação”.
E mais: o perito constatou que na declaração de impostos de pessoa
física, de 1997, Bell Marques afirmava ter um patrimônio de R$ 1,6
milhão e rendimentos tributáveis de R$ 67 mil (ganhava R$ 5,5 mil por
mês), daí que pedia uma restituição da Receita Federal de R$ 961! No ano
seguinte, Bell informava que seus rendimentos eram de R$ 75 mil
(ganhava R$ 6,2 mil por mês), e queria a restituição em R$ 3 mil.
Em 1999, seus rendimentos tributáveis foram de apenas R$ 9 mil ao ano
(ganhou cerca de R$ 750 por mês), e ele pedia R$ 559 de restituição à
Receita Federal. Na minha reportagem, eu cheguei a perguntar se Bell
Marques ainda era o cantor ou agora trabalhava como “cordeiro” de
trio-elétrico, mas o editor cortou minha pergunta!
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
De lá para cá, tudo isso aí foi virando uma enorme bola de neve no
Chiclete com Banana, principalmente porque os outros membros do grupo –
inclusive os irmãos de Bell, Waldemar e Wilson Marques – abriram os
olhos. E o grupo entrou em colapso, segundo me disse um empresário do
ramo no início deste ano, informando-me que o rompimento era inevitável
diante da insana contabilidade.
Enfim, a verdade sobre a saída de Bell Marques dificilmente será
revelada pela imprensa baiana. Assim como nenhum jornalista tem coragem
de escrever sobre um escândalo ainda maior envolvendo Ivete Sangalo e
seu irmão Jesus Sangalo. Mas eu vou contar tudo no livro “ACM e Adriana –
uma história de amor, traição e grampo”. O Chiclete aparece no Capítulo
22, com o título “A banana do Chiclete”!
Lá você vai ler a repercussão no grupo sobre a compra do jatinho de
Bell, que custou R$ 17 milhões em 2010, e o que levou o grupo a vender a
sua rádio recentemente por R$ 13 milhões! Não posso adiantar nada agora
porque ainda preciso de confirmações contundentes para o que me
informaram. Aliás, minha marca no jornalismo foram os documentos – não
havia reportagem minha sem documentação.
Ademais, a última vez que falei com Jonne foi em 2006, quando ele estava
aposentado pelo INSS, ganhando uma miséria que mal dava para pagar os
remédios da sua grave doença! Ele é portador de ataxia cerebelar, uma
doença resultante de lesões que afetam o cerebelo, causando tremores no
andar, na fala, na escrita, etc… E pergunto: como é que estão os
processos de Jonne? Foram extintos? Algum advogado se vendeu?
Olha, cadê essa imprensa de merda que não faz nada… Bem, somente quando
você comprar o meu livro vai saber a história completa do rompimento de
Bell Marques com o Chiclete. Isso aqui foi só a introdução, o prelúdio,
para evitar que o fã não fique tanto com cara de banana, mas o
suficientemente esperto para parafrasear a canção: Se você é
chicleteiro, Deus te perdoa. Se você não é, Deus tá “de boa”!

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